Estamos à véspera do lançamento de uma das grandes promessas de bilheteriade 2006, "O Código da Vinci" estrelado por Tom Hanks e baseado no Best Sellerde Dan Brow. Se o filme fizer o mesmo sucesso do livro, que teve mais de60 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, será com certeza o filmemais visto do ano.
O livro envolve o leitor desde as primeiras páginas e fica impossível nãoterminar de lê-lo. A trama é contata com tanta astúcia e com um raciocíniológico que fascina até o mais despretensioso leitor. Um ótimo e inteligentepassatempo, mas.....Neste "mas" é que mora o perigo, pois o livro insereinverdades históricas em seu roteiro que confunde até mesmo os mais convictoscristãos, o que já proporcionou uma vasta literatura rebatendo os fatose argumentos em que se baseia o romance de Dan Brow. È uma clara amostraque a mentira contada de uma forma bem elaborada é muitas vezes mais bemaceita que a própria verdade.
Outro fato relevante é que o livro mistura verdades e mentiras na trama.Como exemplo de verdades, temos o relato sobre a mudança do dia de guardado sábado para o domingo e o sincretismo religioso existente na igreja católica,mas os absurdos levantados sobre Jesus extrapolam essas verdades, o queconfunde o leitor sobre a veracidade do que é escrito neste romance.
Na Grécia antiga surgiram os sofistas, que eram profissionais do saber eda retórica. Com o surgimento da democracia eles se dispunham a ensinaraos interessados em como alcançar o poder. Diversamente dos filósofos gregosem geral, o ensinamento dos sofistas não era ideal, desinteressado, massobejamente retribuído. O conteúdo desse ensino abraçava todo o saber, acultura, uma enciclopédia, não para si mesma, mas como meio para fins práticose empíricos e, portanto, superficial. Eram duramente criticados por Sócrates e Platão que entendiam que a conquista do saber era o fim em si mesmo enão um meio para se obter vantagens. Qualquer semelhança com os "marketeiros"políticos é mera coincidência, ainda mais porque os atuais trabalham maiscom a imagem que com o conhecimento.
É aí que novamente entra a pergunta " é mais importante o que se fala oucomo se fala?" Uma mentira escrita de forma convincente é mais importanteque uma verdade contada de forma insegura?O grande mestre dos "sofismas" é satanás. No Éden a serpente utilizou meias-verdadespara convencer Eva a saborear o fruto da árvore que estava no centro dojardim. A serpente afirmou que Eva não morreria, e realmente não morreude imediato, mas omitiu que a mortalidade se faria presente. Disse que osolhos s abririam e que conheceriam mais coisas, e realmente os olhos seabriram e agora não conheciam apenas o bem mas o mal também, e viram que estavam nus e se envergonharam, fugiram da presença de Deus.
O inimigo não espera que você acredite em todas as mentiras que o mundooferece, para ele já basta que você acredite em algumas meias-verdades.Satanás não espera que você esteja completamente fora da igreja, para elebasta que você esteja com um pé dentro e o outro fora. Não espera que vocêseja um arauto do inferno, ele se contenta que você não seja santo o suficiente.
Dr. Cléo Oliveira Fortes JuniorAdvogado em Santa CatarinaDiretor do Coral do Distrito de São Francisdo do Sul - SC.
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